no meu quintal há um piri-piri. e no piri-piri há um gafanhoto.

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Um gajo por mais crescido que seja vê-se sozinho em casa por dois dias e vêm-lhe logo ao de cima os genes de rufia. Um actimel vazio, uma casca de banana, chávenas e pratos usados, um cinzeiro meio vazio, dois iogurtes líquidos já esvaídos, restos de pão duro, pacotes de crackers meio gastos. Ontem a banca da minha cozinha, parecia um cenário do Armageddon.  E não há muitos dias disse (alto – houve quem o ouvisse) que ultimamente tenho preferido comer queijo de manhã porque a manteiga dá muito trabalho a barrar (eu compro o queijo já fatiado). Isto vindo de quem era capaz de passar horas a pensar na melhor maneira de fazer um molho holandês é no mínimo indicador de uma lobotomia.

Cheguei à conclusão de que um tipo não pode ser prendado e estudante ao mesmo tempo. É uma contradição nos termos, não é assim que se diz?

Não ó Fátima, isto hoje não está mau.

Ah, mas logo vêm cá deixar o trabalho e querem tudo pronto para quarta-feira e eu já estou a ver as horas a que vou sair daqui, tu estás a compreender?

São quatro, ò Fátima. E eles nem sabem se trazem tudo pronto. E eu sei pra que horas é que isto vai dar.

E tu também, ò Fátima, que tu é que lhes vais levar tudo pronto.

É sempre assim, trazem as coisas à última e depois eu fico cá até sabe-se lá quando.

- Só um momento, faz favor

E se eles vierem só às seis estás a ver como é, é sempre assim, mas tu sabes que eu sou assim. Tu estás a compreender?

Não é como a Alice que chega às seis e põe-se a andar. Tu estás a compreender?

- Diga lá

Acho que é a minha especialidade: arroz com-o-que-quer-que-haja-em-12 minutos. Houve tempos em que eu achei que devia abrir um restaurante de arrozes. Depois percebi que a coisa me ia deixar ansioso.

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Via-o sempre da sua janela quando ele saia de casa e dobrava a esquina. Via-o saír. Quase todos os dias. Quando se cruzavam na rua arrastavam os olhos um no outro. E ela acreditava profundamente que ele a podia salvar. E isto durou, um dia. Dois dias, todos os dias do ano.

Um dia (que é como todas as histórias dão a curva), encheu-se de coragem e ligou-lhe. Já tinha procurado o número há meses, na lista. Estava a fermentar. Ligou-lhe para o outro lado da rua. Que não estava, que tinha acabado de saír. Não, não está, saiu mesmo agora. Nunca o encontra, não quer deixar recado? Ainda agora aqui estava. Quer que diga que ligou? Ligou-lhe vezes sem conta.

Um dia uma voz diferente apareceu-lhe do outro lado. Estremeceu de pânico e de súbito percebeu que se tinha esquecido de ir à janela vê-lo dobrar a esquina.

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… of red and gold. O Verão está a acabar.

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Farto de ervas daninhas, de contas de água importadas do Dubai, e para mostrar que eu não gostava do Groundforce só pela Charlie Dimmock, resolvi tratar da saúde ao meu quintal. Tinha terra a mais, o que resultava num abuso de ervas daninhas nos espaços sem cultivo e tinha uma inclinação ligeira que dificultava a racionalização da água.

Primeiro passo: tirar ervas daninhas. Fácil. Segundo, tirar todas as plantas que estivessem no sítio onde as lajes vão ser colocadas. Fácil. Terceiro, nivelar o solo. Até agora, médio – dois voltarens. Quarto, cortar, tratar e aplicar as tábuas que farão os canteiros. Médio. Quinto, levar as lajetas até ao local no carrinho. Fácil. Mas só uma de cada vez. Porque se juntar três delas, acho que são mais pesadas do que eu. Sexto, começar a acertar a vedação…

Bom, isto vai devagarinho. Os próximos capítulos trarão considerações estéticas sobre jardins e hortas, marcenaria e blind tests a diversas marcas de AINEs.

 

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