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Via-o sempre da sua janela quando ele saia de casa e dobrava a esquina. Via-o saír. Quase todos os dias. Quando se cruzavam na rua arrastavam os olhos um no outro. E ela acreditava profundamente que ele a podia salvar. E isto durou, um dia. Dois dias, todos os dias do ano.

Um dia (que é como todas as histórias dão a curva), encheu-se de coragem e ligou-lhe. Já tinha procurado o número há meses, na lista. Estava a fermentar. Ligou-lhe para o outro lado da rua. Que não estava, que tinha acabado de saír. Não, não está, saiu mesmo agora. Nunca o encontra, não quer deixar recado? Ainda agora aqui estava. Quer que diga que ligou? Ligou-lhe vezes sem conta.

Um dia uma voz diferente apareceu-lhe do outro lado. Estremeceu de pânico e de súbito percebeu que se tinha esquecido de ir à janela vê-lo dobrar a esquina.

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One Comment

  1. Até o título está brutal… sem pontuação nem nada.. sem, ‘quero, não quero?’ nem ‘quero não quero!’ ou ‘quero não, quero!’

    Também é giro estar calado e não dar significados ás coisas que os autores fiquem a olhar com cara de parvo.
    Ainda assim digo que, eu vou continuar a não jogar no totoloto esta semana, já sei que não calha por isso escuso de telefonar.. perdão, jogar.


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